90 Anos da Marcha da Coluna


O Congresso Nacional juntamente com a Câmara Federal homenagearam os 90 Anos da Coluna Miguel Costa/Luis Carlos Prestes. Uma iniciativa que partiu da deputada Luciana Santos e do senador Inácio Arruda.
A Coluna Costa/Prestes foi o resultado da junção da Brigada comandada por Miguel Costa, que partiu de São Paulo, e da Brigada Luis Carlos Preste, que partiu do Rio Grande do Sul. Essa Coluna Revolucionária não teria existido se os dois comandantes não se juntassem. O objetivo dessa marcha era apenas um: fazer a propaganda da Revolução de 1924, iniciada em São Paulo, no dia 05 de julho, comandada pelo Marechal Izidoro Dias Lopes. Eles percorreram invictos, a pé e a cavalo, aproximadamente 25 mil quilômetros, por isso é considerada uma das maiores marchas do mundo. Não é uma marcha militar, já que todos os revolucionários foram exonerados de seus postos quando aderiam à Revolução.
O nome oficial dessa marcha é Primeira Divisão Revolucionária e foi apelidada de Coluna Prestes pelo comandante Miguel Costa que a apelidou com o nome do seu Chefe do Estado Maior, por julgar que "ele [Prestes] foi a alma da coluna".
A iniciativa do senador Inácio Arruda e da deputada Luciana Santos foi muito importante, porque fez  relembrar os motivos da Revolução de 1924. A situação política e social do Brasil de 90 anos atrás é quase a mesma de hoje e isso foi demonstrado durante o final da sessão do dia 20/05/2014 - que pode ser conferida aqui.
Foram homenageados alguns dos revolucionários de 1924 e integrantes da Coluna, representados por seus familiares. Luis Carlos Prestes foi representado por sua viúva, a senhora Maria Prestes Ribeiro.
Miguel Costa foi representado por seu neto Yuri Abyaza Costa [proprietário e autor deste blog].
João Cabanas foi representado por sua neta Letícia de Paiva Cabanas. João Alberto foi representado por sua neta Tatiana Barros e o combatente Ezidro Gaúcho [ainda vivo] foi representado pelo senhor Cleiton Weizenmann.
O evento foi organizado pela família de Luis Carlos Prestes, sob os cuidados de sua neta, a senhora Ana Prestes, pelos requerentes e pela Fundação Maurício Grabois, representada pelo seu presidente, o senhor Adalberto Monteiro.


CONFUSÕES DE  ALGUNS HISTORIADORES

Da esq. p/ dir: Yuri Abyaza Costa, Maria Prestes Ribeiro com sua bisneta Helena Prestes Lopes, Deputada Luciana Santos (PC do B) Ana Maria Prestes, Letícia Paiva Cabans, Professora Drª. Marly Viana e Mariana Ribeiro Prestes. Foto: YAC


Dizem que a história é contada pelos vencedores, só que não é bem assim, a história tem viés e muitas vezes é contada por conveniência política. Foi justamente o que aconteceu com a Coluna. É importante ressaltar que a adesão de Luis Carlos Prestes ao comunismo aconteceu três anos depois que a marcha se encerrou, o que significa que ela [marcha] não teve nenhum caráter comunista, como algumas pessoas acham e, por isso, fazem de tudo para depreciar um dos maiores feitos do planeta, ocorrido em solo brasileiro. Outra coisa muito importante é que a marcha da coluna é parte de uma Revolução que se iniciou em 1924 e que terminou em 1930, apesar de alguns historiadores considerarem que o final desse período acaba em 1935, como considera a ilustre professora Marly Viana, em seu livro Revolucionários de 1935
Prestes foi aderindo ao comunismo durante os anos seguintes a 1927 e em 1930, quando ele revelou suas novas ideias aos colegas de farda, acabou sozinho, pois o objetivo da Revolução era outro, tanto é que a Revolução de 1930 aconteceu sem a participação de Prestes, que tinha sido escolhido por todos os outros revolucionários para se sentar na cadeira da presidência do Brasil, ocupada na época por Washington Luiz.
Julgá-los é errado, pois nenhum de nós que vive nos dias de hoje esteve presente naquelas reuniões e, por isso, não podemos se quer emitir uma opinião que julgue a ação de nenhum deles - além disso, a atmosfera política mundial era outra. O que fazer diante disso? Contar a história sem emoção e principalmente sem viés.

PRIMEIRA DIVISÃO REVOLUCIONÁRIA POR QUÊ?

Por uma razão muito simples: a Coluna foi o resultado da junção de duas brigadas, a de Miguel Costa e de Prestes. A junção de brigadas formam uma Divisão e a junção daquelas brigadas formaram a  Primeira Divisão Revolucionária. É justo ou injusto atribuir o êxito da marcha revolucionária apenas a dois de seus integrantes sem jamais se lembrar dos 1500 homens, mulheres e jovens que compuseram essa coluna? Acredito que não é justo citar apenas os que mais se destacaram, pois todos aqueles personagens fizeram parte da marcha e arriscaram suas vidas durante os poucos combates que a coluna travou contra as tropas legalistas, por isso, prefiro chamar a marcha da coluna pelo seu nome oficial, distribuindo assim a glória de forma igual a todos os seus integrantes. 

Senador Inácio Arruda e senhora Maria Prestes. Foto: Cezar Xavier.

Deputado Gustavo Petta e Cleiton Weizenmann. Foto: Cezar Xavier.


Adicionar legendaMariana Ribeiro Prestes, João Alberto Lins de Barros Neto, Tatiana Barros, Letícia Cabanas, Cleiton Wiezenmann, Yuri Abyaza Costa, Ana Prestes e sua filha Helena Prestes Lopes, Maria Prestes, Luis Carlos Prestes Filho. Foto: Cezar Xavier.

A Prof. Drª. Marly Viana abrilhantou o evento com sua presença e discursou destacando pontos importantes da história da Revolução de 1924 e da marcha da Coluna. Foto: Cezar Xavier.