Foi lançado livro incrível sobre 1932 - O Túnel da Discórdia

Revolução de 1924

Recentemente o escritor-historiador Celso Luiz Pinho, ex integrante da Polícia Militar de São Paulo, lançou seu livro: 1932 O Túnel da Discórdia. A leitura desse livro é importante para todos historiadores, para todos os paulistas e para todos os mineiros, pois o livro esclarece o que aconteceu "dentro do túnel." Abaixo apresento a vocês a resenha do livro, a foto do autor e seu contato, caso desejem obter o livro autografado.
Além disso, tivemos a oportunidade de entrevistá-lo. Acompanhe a entrevista depois da resenha.




  1932 – O Túnel da discórdia
                                                           (resenha)

O tema “Revolução Constitucionalista de 1932” não é novo. Muito já se escreveu sobre ela. Uma vez silenciadas as armas, começou outro tipo de guerra, a das letras, cujos exércitos envolvidos eram formados por jornalistas, escritores, políticos, ex-combatentes etc. Cada qual mostrando seu ângulo de visão dos fatos ocorridos entre julho e outubro daquele ano.
Neste livro, escrito oitenta anos depois do desenrolar dos fatos nele narrados, abordamos, ainda que de forma resumida, uma das mais terríveis frentes de batalha de todo o conflito: a do  Túnel da Mantiqueira, tentando dar ao leitor uma visão geral dos acontecimentos ali ocorridos, tanto do lado paulista como do lado mineiro.
O livro é dividido em três partes distintas: na primeira, traçamos um esboço histórico sobre a fundação das duas cidades diretamente envolvidas (a paulista Cruzeira e a mineira Passa-Quatro); na segunda, também resumidamente, citamos alguns fatos que antecederam a guerra paulista como um todo e, na terceira, abordamos mais especificamente os combates no que se chamou FrenteTúnel  e cidades próximas.
Infelizmente, cerceados pelo número de páginas, não tivemos condições de narrar episódios particulares, preferindo optar pela narrativa global, contudo sem perder a linha mestra. É claro que há falhas. No entanto, essas não tiram a lucidez do texto em si. Procuramos também, em verdadeiro serviço de “garimpagem”, ilustra-lo ao máximo que nos foi permitido, para que o leitor tenha ampla visão dos locais e fatos descritos. 
Seguimos uma ordem cronológica dos acontecimentos, usando parágrafos curtos, a fim de não se tornar um livro de leitura maçante, porém bem detalhado (embora muitos detalhes tenham sido omitidos na redação final, por absoluta falta de espaço, conforme mencionado acima).
Para aqueles, já conhecedores da história da Revolução Constitucionalista de 1932, o presente livro talvez não traga informações novas, posto que os subsídios nele constantes foram colhidos em diversas publicações, inclusive jornais da época, e reunidos em um único texto, todavia acreditamos que para os demais interessados, seja ele uma forma de se ter uma noção do como e o porquê dos acontecimentos que se desenrolaram naquele pedaço do Brasil, chamado Garganta do Embaú.


1) Por que escolheu esse tema?
    O tema é fascinante. Sobre a Revolução Constitucionalista ainda há muito a ser dito. Escolhi o túnel como tema principal por ser, dentro do assunto global,  um que ainda hoje causa uma certa curiosidade aos interessados.

2) A escolha do tema foi o motivo para escrever o livro?
    Sem dúvida.

3) O que o impressiona nessa história?
    Acredito ter sido duas coisas: a necessidade dos ditatoriais em tomá-lo e a vontade dos constitucionalistas em mantê-lo sobre controle. Ambos os casos foram por motivos estratégicos e, por quase três meses ficaram se digladiando.

4) No livro você fala também da revolução de 1924, da revolução de 1930 e da revolução de 1932. Em sua opinião, qual delas foi a mais importante?
    Não exatamente  Em rápidas pinceladas, citamos algo sobre 1924, posto que muitos combatentes de 32 também combateram em 24. Não se pode falar em 32 sem mencionar 30, o que fizemos também em rápidas citações, uma vez que nosso foco principal era outro.
5) Por que acha isso?
   Cada um desses movimentos foram importantes em sua época,  inclusive o de 22.

6) Manteve contato com algum familiar de revolucionário?
    Sim. E foram muito importantes esse contatos, pois sempre se obtinha uma informação nova, um detalhe interessante. Para ilustrar, tive o prazer de conversar com o filho de um ex-combatente constitucionalista, cujo irmão (portanto, tio do informante) combateu ao lado dos ditatoriais, Terminado o conflito, os dois irmão ficaram por quase trinta anos sem se falarem. Para eles, embora irmãos, a guerra ainda perdurou por três décadas, até fazerem a paz. Pode parecer cômico,  mas é um fato que ilustra bem os desdobramentos de conflitos nos meios sociais.

7) O que pretende fazer com o material que colheu para confeccionar o livro?
    Em princípio e por algum tempo, vamos mantê-lo sob nossa guarda para futuras pesquisas. Depois, creio ser de bom alvitre doá-lo.

8) Há atualmente no Brasil a necessidade de outra revolução?
   Veja, o Brasil é um país cheio de contrastes, com grandes problemas de ordem social. É certo que resolver todos os problemas simultaneamente é complicado, mas não acredito que o uso das armas seja a melhor forma de resolvê-los rapidamente. Acho sim, que a população deve fazer melhor uso de seu direito/dever do voto, não elegendo ou re-elegendo aqueles que nunca deviam ter se candidatado. Talvez seja essa a revolução necessária. Sei que a resposta foi dúbia, mas ...

9) Por que acha isso?
    ... revoluções também são feitas sem armas, mas com conscientização.