MULHERES NA MARCHA DA COLUNA (Por MARIA MEIRE DE CARVALHO)

Mulheres na Marcha da Coluna Costa & Prestes


Segundo o secretário da Coluna, Lourenço Moreira Lima, a loira austríaca Hermínia era uma enfermeira diplomada, que incorporou-se ao movimento ainda, na cidade de São Paulo (Rebelião de 5 de julho de 1924). Ela foi uma das mulheres mais destacadas na marcha. Para Moreira Lima, Hermínia era uma mulher extremamente “brava, valente e devotada”, pois nos momentos mais difíceis não fugia diante dos perigos. Ao contrário, durante os combates ela cruzava as linhas de fogo para atender e retirar os soldados feridos.[1]
Hermínia, a loira enfermeira austríaca, da qual não sabemos o sobrenome, foi assim descrita por Lourenço Moreira Lima:

                                                         
 Hermínia nos acompanhou desde São Paulo até a Bolívia, era valente e devotada, retirando muitas vezes os feridos das linhas de fogo..., era extremamente brava e de uma grande capacidade de trabalho. Marchava a pé durante muitos dias, potreava e laçava como um gaúcho. Mulher prática conduzia uma cadela amestrada em pegar galinhas.[2]

Nessa citação o bacharel Lourenço Moreira Lima exalta a capacidade de trabalho, a coragem e a resistência física da enfermeira Hermínia, chegando a mencionar no diário da marcha que ela caminhava a pé durante muitos dias, sem fraquejar ou reclamar.
O discurso masculino exacerbou sua figura frente às demais mulheres que participaram da Coluna, praticamente todos os companheiros de marcha proclamavam-na como uma mulher diferente. Ao mesmo tempo, esse discurso se invertia. Será que a enfermeira Hermínia, tão admirada pelos comandantes e companheiros de marcha se arriscaria numa guerra durante quase três anos, apenas com o intuito de “arranjar um noivo”? 
Hermínia permaneceu durante todo o percurso da Coluna, junto ao “Estado Maior”, ou seja, junto com os comandantes de maior hierarquia como, Luís Carlos Prestes, Miguel Costa, Juarez Távora e outros; ela e outro enfermeiro chefiavam o “corpo de saúde” da Coluna. 
Continuemos analisando os discursos sobre a enfermeira Hermínia. Agora quem a cita é o comandante Osvaldo Cordeiro de Farias que acompanhou a Coluna até a Bolívia. Anos mais tarde, deixou seu depoimento sobre a presença feminina na marcha:


As mulheres acompanhavam os destacamentos a pé ou a cavalo, para nós era como se fossem soldados... Havia apenas uma mulher para a qual eu abria exceção: Hermínia, (o grifo é nosso), de origem alemã, uma enfermeira extraordinária... Todos os soldados tinham a maior confiança nela. Hermínia era enfermeira diplomada e vivia com um soldado de São Paulo, também de origem alemã. Mas dizem que concedia seus favores a outros soldados (o grifo é nosso). Nós não tomávamos conhecimento desse tipo de problema, a não ser que as disputas por mulheres ocasionassem conflitos maiores... [3]   

Como vimos no depoimento do comandante Osvaldo Cordeiro de Farias, ao mesmo tempo em que ele considera as mulheres como verdadeiras “soldados”, destacando a figura da enfermeira Hermínia como uma mulher diplomada, pela qual ele dizia que “abria exceções” (poderíamos indagar: que exceções seriam estas?), logo depois, ele a desclassifica como uma prostituta que “concedia favores a outros soldados” e se exime da responsabilidade de tal procedimento, quando diz que somente interferiram se houvesse maiores conflitos entre os rebeldes.
Analisando essas contradições, ficamos a indagar como esses homens realmente viam essas mulheres? Muitas vezes, consideram-nas como valentes companheiras de luta que enfrentavam dificuldade juntamente com eles, presentes nos momentos de perigos, porém, por outro lado, eles acreditavam que mulheres que acompanhavam uma luta dessa natureza, não podiam deixar de ser também prostitutas, pois somente estas seriam capazes de romper com os padrões e normas estabelecidas pela sociedade da época para seguir uma tropa militar.  
Outro integrante da Coluna, o capitão Landucci - ajudante de ordens de Luís Carlos Prestes -, deixou em suas memórias, algumas informações sobre as mulheres. Ele diz:

Quem diria que mulheres pudessem suportar as fadigas daquela campanha, quando a virilidade do homem às vezes fraquejava?... A história narra fatos notáveis a respeito das vivandeiras e nós também queremos render-lhes justa homenagem... As enfermeiras, entretanto, foram heroínas, revelando alto grau de dedicação. A enfermeira Hermínia era valente e dedicada a um tempo, socorrendo os feridos da linha de fogo. No cerco de Terezina chegou às trincheiras inimigas e ali tratou vários feridos. No combate de Anápolis foi em busca das secções de M.P., que marchavam no centro da Coluna para que corressem ao campo de ação. Era extremamente brava... potreava e laçava como um gaúcho.[4]
                       
O capitão Landucci considerou as mulheres que participaram da marcha como heroínas, uma vez que, para ele, aquele espaço de guerrilhas pertencia aos homens viris, justifica assim. Mencioná-las em suas memórias é uma forma de prestar “homenagem” pela dedicação aos serviços por elas prestados, pois segundo ele “essas mulheres revelaram-se além das expectativas do que se esperava delas”.[5]
Nessa época (década de 1920), grande parte da sociedade brasileira acreditava que as mulheres pertenciam ao “sexo frágil”, criaturas indefesas que necessitavam do amparo masculino, sendo “o lar”, “doce lar”, o seu  “porto seguro”. Na concepção dessa sociedade, mulheres que acompanhavam uma tropa em marcha só podiam ser consideradas como heroínas, mulheres desprendidas, ou como, “mulheres prostitutas”, assim, eram ao mesmo tempo consideradas sagradas e profanas.  Mas, vemos nesse período, na capital paulista que, algumas mulheres já trabalhavam e reivindicam seus direitos, provavelmente a enfermeira Hermínia já possuía uma certa consciência política.
Segundo Rubens Fortes, outro integrante da Coluna (cunhado do comandante João Alberto Lins de Barros) que participou da marcha até a Bolívia, a presença e atuação de algumas mulheres ficaram marcadas em sua memória. Em entrevista ao CPDOC/FGV, ele confirma que o seu pelotão contava com um grupo de aproximadamente dez mulheres. Assim, relata:

As vivandeiras eram as mulheres que acompanhavam a Coluna... tinha a Hermínia que era enfermeira. Essa mulher era muito engraçada, ela era mulher do tenente Hermínio, um caboclo da força paulista, ela cuidava dos feridos, dava tônicos para os doentes que estavam depauperados, ela dava até “Saúde da Mulher” para os fracos, não tinha nenhuma dúvida, era um tanto esquisito, dar “Saúde da Mulher” para um homem ferido... [6]  (risos no final do relato)
  

Rubens Fortes nomeou Hermínia como uma enfermeira “engraçada”, uma vez que, quando faltava medicamentos para os “doentes mais depauperados”, ela os medicava até com o tônico regulador da menstruação, “Saúde da Mulher”, um tônico destinado particularmente à fêmea, já que “ser mulher era uma doença, a mulher era um ser frágil, com a cabeça nas nuvens e a procura de um vidro de fortificante”.[7]
Imaginem o quanto soava esquisito na mentalidade masculina, da década de 1920, ver um soldado ferido ser medicado com um regulador menstrual e, muitas vezes, recuperando-se, consideravelmente com essas beberagens.
Na imprensa nordestina, a figura da enfermeira Hermínia também foi muito destacada, o jornal “A Tarde”[8] de Salvador (BA) noticiando sobre “A Revolução”, abre espaço para apresentar: “A enfermeira que acompanha os revoltosos”. Descrevendo a prisão e o depoimento do ex-cabo legalista Paulo Flucart, do 2° Batalhão de Engenharia Paulista, pelos rebeldes, o dito jornal apresenta a emoção do cabo, ao falar da enfermeira Hermínia, que ele denomina “madame Emília” e, afirma que ela dirigia a companhia de enfermeiros da força rebelde.
Segundo o cabo legalista Paulo Flucart, essa enfermeira era muito estimada e querida por “todos os sediosos”, em virtude da humanidade que dispensava aos feridos. O jornal relata que Paulo Flucart “lagrimejava abundantemente”, enquanto relatava sua experiência como prisioneiro, dizendo-se inteirado do “auto grau de philantropia e bondade” daquela senhora, pois ele foi testemunha de sua ousadia no ataque à metrópole piauiense, quando a viu partir para o campo inimigo e tratar de oito soldados legalistas gravemente feridos que haviam sido abandonados durante o combate.
Outro jornal nordestino, “Diário da Bahia”, de Salvador, retrata o perfil da enfermeira Hermínia, através do relato e depoimento do Sr. Anatolino Pina Medrado, ex-prisioneiro das forças rebeldes; o mesmo era filho do famoso coronel baiano Doca Medrado; Anatolino narrou fatos interessantes sobre a enfermeira Hermínia. Disse ele ao jornal:

Hermínia é uma enfermeira ainda moça, de coragem inaudita, tendo visto por diversas vezes, ir ella própria à linha de fogo fazer curativos aos feridos.
É uma mulher sympática, valente e tem como companheira uma cachorrinha de nome Petit que a acompanha desde o começo da revolução. Anda tanto a cavalo como a pé.
É muito querida e respeitada pelas tropas.[9]


Mais um jornal, o Diário de Notícias [10] de Salvador, abre em primeira página a seguinte manchete: “São duas criminosas rebeldes: a bella generala e a piedosa enfermeira”o jornal está falando de Alzira que havia sido aprisionada e da enfermeira  Hermínia.  Nessa matéria publica-se uma carta do fazendeiro Luis Antônio Ribeiro, residente  na “Fazenda Sipó”, município de Juazeiro (BA); o dito fazendeiro escreveu ao jornal para contestar as notícias dadas pelo jornal “A Tarde”, anteriormente mencionadas. O Sr. Luís desclassifica o jornal por tecer elogios a enfermeira Hermínia, declarando:

... É admirável que haja informantes tão maus e perversos que teçam elogios a pessoas desclassificadas, investidas dos mais baixos e vis sentimentos. A verdade nua e crua é outra. Quem conhece bem essa gente, e bem informado de seus actos nunca dirá semelhantes disparates. A mulher que acompanha uma horda dessa natureza, cometendo em sua passagem quase sempre em todos os lugares, toda a sorte de perversidades... Não pode ser classificada de boa índole, nem ter bom coração... Não consta que a enfermeira Hermínia, a quem se refere o dito vespertino com grandes elogios, nunca tenha implorado a favor de nenhuma destas victimas... Suponho até que ella procura exterminá-los com a mais revoltante perversidade... São meras espiãs revoltas...[11]

Na carta acima referida, o autor apresenta um perfil contrário da Coluna e da enfermeira Hermínia, é a representação do contra discurso aos demais relatos levantados. O Sr. Luís não só desclassificou toda a tropa rebelde como todas as mulheres que dela participavam. Para ele, os serviços de enfermaria prestados pela Hermínia aos feridos legalistas, nada mais era do que, buscar como espiã, informações sobre o inimigo para depois informar ao comandante dos rebeldes a situação do exército legalista.
Vemos, então que Hermínia foi realmente uma das mulheres que mais conseguiu destaque como participante da marcha da Coluna; comandantes, ex-integrantes, memorialistas, pessoas da sociedade civil e alguns jornais deram ênfase à sua presença junto aos rebeldes militares. 
Na maioria dos relatos Hermínia foi vista como uma valente enfermeira que conseguiu com seus serviços e carisma conquistar comandantes, soldados rebeldes e soldados legalistas. Por outro lado, sua postura firme de mulher independente levantou comentários maldosos e pejorativos.


Alguns companheiros de marcha que, em momentos a elogiava pela bravura, em outros momentos a comparava como uma mera "vivandeira/prostituta", assim firmou-se a imagem da enfermeira Hemínia.


Elza Schmithk:


Elza era uma "enfermeira Alemã", "bonita loira" casada com o alemão Henrique, que também era enfermeiro. Nas afirmações de João Alberto Lins de Barros, mais tarde, nas terras de Mato Grosso seu companheiro se extraviou da Coluna e "Elza passou a viver maritalmente com o major pernambucano, Manuel Alves de Lira.".[12]

O comandante do 2º Destacamento da Coluna - João Alberto Lins de Barros -, relatou a “presença incômoda” da enfermeira Elza junto ao seu pelotão. Em suas memórias, ele relata a perda de um amigo e companheiro de marcha, major Lira, nas divisas de Mato Grosso com a Bolívia, nas proximidades do exílio tão esperado. Em seu discurso, ele culpa a enfermeira Elza pela perda da eficiência desse major, ao afirmar que: 

Ao atravessar o rio das Garças, foi o 2º Destacamento (o meu) surpreendido pela coluna de jagunços de Franklin de Albuquerque... Restava apenas a travessia dos cargueiros e, entre eles, o Major Lira, que se conservou no porto ao lado de sua bagagem. Major Lira era um pernambucano bravo, de compleição robusta, alto porte e bem humorado... Entrara na revolução em São Paulo como civil, por entusiasmo cívico e espírito de aventura... Exercia, as funções de sub-comandante. Era bravo e prestava ótimos serviços, mas tinha sua eficiência reduzida pela presença, na Coluna, de Elza, alemãzinha loira e bonita com quem vivia maritalmente. O casal tinha um filhinho de três meses que nascera em plena marcha...
Lira procurava dar todo o conforto possível a Elza. Tinha barraca, cama e panelas. Trazia sempre um cargueiro com bagagem excessiva para a Coluna.
Era hábito, na passagem de rios, fazer atravessar primeiro homens válidos, feridos e a munição. Os cargueiros ficavam para depois.
Lira estava ainda ocupado com a sua bagagem, quando o adversário atacou. Foi o primeiro a cair, combatendo valentemente.[13]

Nesta citação parece evidente o posicionamento dos companheiros de marcha em relação às companheiras. Elas podiam até ter uma posição de destaque e sua presença ser estratégica dentro do corpo rebelde, porém, essas mulheres desvirtuavam a coragem e a bravura dos homens que se sucumbissem aos seus encantos.
As afirmações do comandante do 2º Destacamento da Coluna nos faz perceber o quanto a presença de Elza foi incômoda na marcha. João Alberto condena-a pela perda de um valente major, mas deixa implícito em seu discurso a relevância de ter mulheres em uma marcha de guerrilhas.
O interessante é perceber que os comandantes podiam dirigir ordens como superiores aos oficiais e soldados na frente das batalhas, porém, era   impossível controlá-los totalmente, esse foi o caso do major Lira que mesmo sem a aprovação de seus superiores e amigos manteve-se ao lado da enfermeira Elza.
Dentre todas as mulheres, Elza foi até o presente momento a única de quem conseguimos registro de fala. Em 1927, o jornalista Luís Amaral foi enviado (como correspondente de O Jornal) do Rio de Janeiro à Bolívia, Paraguai e Argentina para cobrir a vida dos sobreviventes da grande marcha no exílio.
Na época, a enfermeira Elza foi entrevistada (julho de 1927) por Luís Amaral. Na matéria, ele afirmou que Elza estava morando na cidade de Cuyabá. Uma família a recebera, de favor em sua casa, em cuja sala somente havia uma rede para ela e o pequeno Evandro. Nessa oportunidade, ela declarou ao mesmo jornalista que gostaria de voltar para sua Pátria, a Alemanha, mas isso era impossível, pois não tinha recursos para tal.[14]
As nossas investigações trouxeram alguns esclarecimentos sobre alguns depoimentos soltos, como um diálogo do jornalista Rafael de Oliveira com o coronel Franklin de Alburquerque, perseguidor da Coluna. Assim, declara o jornalista:

                        .... O facto seguinte é curioso:
Nos porões do ‘Entrúria’, a minha atenção voltou-se para uma pobre mulher que se encolhia no fundo de uma rede cor de terra.
- Quem é aquela mulher?
                        - É uma revoltosa que fizemos prisioneira.
Das batalhas de Franklin com a gente da Coluna, ali estava o glorioso trophéo: uma pobre mulher doente e alquebrada, que acompanhava a Coluna prestando serviços de enfermeira.[15]

O bilhete que citaremos abaixo foi enviado por João Alberto Lins de Barros a Luís Carlos Prestes e, encontra-se como anexo no diário da marcha, o mesmo traz a seguinte mensagem:
                                                                      
                                      Pontinha – 13,40
                                     Prestes.
           Junto segue o croquis. No porto tem balsa. No bananal há canoas. Do Capão Grande no Cuyabá para cima há vários portos e vau.
             Elza vai ficar.
            Como não sei ....
            Sem mais,
             João Alberto.[16]
                      
Lourenço Moreira Lima confirmando a decisão de Elza, diz que esta foi tomada em 2 de janeiro de 1927. Nela “há uma referência à enfermeira Elza, mulher do enfermeiro Henrique, que se extraviara antes, a qual ficou no lugar Pontinha, próximo ao rio Manso, transposto no dia 4”.[17]
Com esses depoimentos amarramos a três falas: a do jornalista Rafael Oliveira, a de João Alberto Lins de Barros e a do jornalista Luís Amaral sobre a enfermeira Elza. Na citação abaixo o jornalista Luís Amaral apresenta a conclusão do paradeiro da Elza, após a morte do major Lira:

Morto o major em Pontinha, Elza deliberou desligar-se da Columna. O General Miguel Costa determinou que o sargento Guttemberg, homem de toda  a  confiança, a  acompanha-la a Cuyabá, distante quinze léguas, para dali se dirigir a São Paulo. No caminho, porém, o bando de Franklin arrebelou-a, serviu-se dela em comunidade, explorou-a dos poucos recursos que possuía para a viagem e só depois deu-lhe liberdade. Viveu dois meses na cadeia pública, e hoje mora numa casa de família.[18]

Durante a fase inicial de levantamentos dos dados para a elaboração da pesquisa, ficamos a perguntar o que havia sido feito da enfermeira Elza, quando o comandante João Alberto Lins de Barros escreveu a Prestes comunicando que ela não ia entrar no exílio com os rebeldes (relato anteriormente citado).
Em um segundo momento, encontramos a documentação do jornalista Rafael Oliveira de O Jornal fazendo referência a uma mulher que fora apreendida pelos jagunços do coronel Franklin de Alburquerque. Nesse momento, já tínhamos a convicção de ele estava falando da enfermeira Elza, embora o jornalista não tenha prisioneira.
Na fase final da coleta de dados, já podíamos afirmar, com certeza, que as três falas se referiam à Elza. Assim, podemos resumir a sua trajetória na marcha da Coluna: Elza incorporou-se à Coluna na cidade de São Paulo em julho de 1925, durante as rebeliões militares, como enfermeira juntamente com o seu marido, o enfermeiro Henrique.
Elza e Henrique compunham o corpo de saúde da Coluna; algum tempo depois, Henrique, no estado de Mato Grosso se extraviou da Coluna e Elza continuou prestando serviços na enfermaria, conheceu o major Manuel Lira tiveram um filho durante a marcha e passaram a viver juntos.

Em Cuiabá (MT), a enfermeira Elza Schmidk, que acompanhou a Coluna até o exílio e o seu filho Evandro Schmidk posam para o fotógrafo de O Jornal. Em entrevista ao jornalista Luís Amaral. Elza fala sobre a sua presença e das demais companheiras na marcha da Coluna.

No início de 1927, nas proximidades do exílio, Manuel Lira foi morto e Elza resolveu desligar-se da Coluna. Um soldado foi responsável pela sua escolta até Cuiabá (MT), de onde seguiria para a cidade de São Paulo. No percurso ela foi capturada pelos jagunços do coronel Franklin de Albuquerque, perseguidor da Coluna.

Em Cuiabá (MT), a enfermeira alemã Elza Schmidk e o seu filho Evandro Schmidk posam para o fotógrafo de O Jornal. No momento, Elza concede uma entrevista ao jornalista Luís Amaral falando sobre a sua presença e das demais companheiras na marcha da Coluna.

Fonte: O Jornal, Rio de Janeiro, 10 de julho de 1927,  p. 06.

Durante algum tempo, Elza ficou aprisionada nos porões do navio Entrúria, momento no qual foi estuprada coletivamente, depois foi entregue à polícia de Mato Grosso e passou dois meses na cadeia de Cuiabá, juntamente com o filho recém-nascido.
Posteriormente, ela foi solta e ficou morando de favores em casa de uma família, momento em que foi entrevistada pelo jornalista Luís Amaral, julho de 1927. Assim, conseguimos compor o mosaico da trajetória da enfermeira Elza na marcha da Coluna Prestes.     

 “Santa Rosa”:

A mulher de apelido Santa Rosa era uma gaúcha que o secretário da Coluna, Lourenço Moreira Lima afirmou que servia de polícia secreta no destacamento de Osvaldo Cordeiro de Farias contra as outras mulheres. No mesmo trecho do diário da marcha, ele relata a incrível forma como Santa Rosa deu à luz a uma criança e vinte minutos depois montou a cavalo, marchando junto à tropa com o filho nos braços. Esse mesmo fato é narrado com muita precisão pelo comandante João Alberto Lins de Barros.[19]

Alzira:

Segundo afirmou Lourenço Moreira Lima, Alzira era uma mulher rio-grandense, que completou dezoito anos durante a marcha.  Alzira era muito temida por seu gênio forte e sua língua ferina.[20]
O secretário da Coluna narra um curioso episódio ocorrido com Alzira quando a Coluna passou por Valença (PI). No episódio, ele fala do temperamento genioso de Alzira.  Moreira Lima conta que nessa cidade ela armou um “terrível sarilho no meio da rua”. Tudo começou com provocações dos soldados, seus companheiros de trajetória que conhecendo seu gênio, tinham prazer de irritá-la só para vê-la enraivecida. O fato foi tido como tão sério que chegou ao conhecimento de Prestes. Após saber do ocorrido, o chefe do Estado Maior da Coluna mandou prendê-la, formou-se, então, uma patrulha por um cabo e mais dois soldados; estes algum tempo depois voltaram até Prestes pedindo reforços e afirmando que “a coisa estava feia”, pois Alzira não se entregara, dizendo que só comparecia frente a Prestes se fosse nua.[21]
Em vários trechos do diário da marcha e nas manchetes dos jornais nordestinos, o nome de Alzira foi muito referido, algumas vezes de forma jocosa ou pejorativa, mas sempre em evidência.
No diário da marcha Lourenço Moreira Lima narra ainda, o episódio que culminou com a prisão de Alzira. Segundo ele, a vila de Uauá, situada no sertão baiano, estava ocupada pelo 3º Batalhão da Polícia Paulista que praticavam violências contra a população. Diz ele que, no dia 9 de março de 1926, o tenente baiano de nome Hermínio, Alzira e mais seis soldados foram até a vila de Uauá. No caminho foram surpreendidos por aproximadamente seiscentos soldados legalistas; após um longo tiroteio, o grupo rebelde retirou-se, nesse ínterim Alzira foi aprisionada. No diário da marcha o secretário declarou que “a imprensa bernardesca fez grande celeuma em torno desse fato”.[22]
Nossas pesquisas confirmaram que, à época (março a junho de 1926), os três maiores jornais da capital baiana, A Tarde, Diário de Notícias e Diário da Bahia estamparam notícias sobre a “revolução rebelde”; falaram da presença feminina no movimento e detalharam com muito precisão a prisão de Alzira. O jornal A Tarde abriu manchetes noticiando de forma romanesca a prisão de Alzira:

                     ‘Alzira a generala’ rebelde é de gênio indomável .
                     Tiroteio em Uauá – a prisão de uma intrépida amazona.
 ... É o episódio romântico da aventura. A amazona em questão é uma jovem gaúcha de 17 para 18 anos, tão linda quanto audaciosa, que acompanha os revolucionários desde o Rio Grande do Sul como companheira do General Miguel Costa, comandante e chefe dos inimigos da República. Chamam-na por isso, ‘a generala’.[23]
                       

Outro jornal Diário de Notícias de Salvador, relatou como se deu a prisão da rebelde Alzira, na cidade de Uauá, próximo a  Juazeiro:

   O assalto a Uauá.
                                               No dia 3, Uauá se alarmou ...
As forças legaes chegaram naquela manhã... No dia 7, travou-se o tiroteio, de 5 minutos no lugar chamado de Tanque. Ahi foi presa uma revoltosa, Alzira de tal. Uma bonita moça... E os rebeldes fugiram, sem entrar no Uauá...[24]

O mesmo jornal continuou a acompanhar a trajetória da prisioneira rebelde, inclusive mandando correspondentes e fotógrafos a Juazeiro, a fim de estampá-la em suas manchetes:

                                Alzira, a prisioneira, viajou para Bom Jardim.
Em Joazeiro, a prisioneira (ao contrário do que muitos julgam) andava de automóvel, acompanhada por um official. Algumas vezes ia à missa e ao cinema. No dia 24, porém, subiu no vapor ‘Antônio Moniz’, presa no Estado Maior do General Mariante, para Bom Jardim, lugarejo sito entre as cidades de Barra e Rio Branco. Para Bom Jardim foi transferido o Quartel General de Joazeiro. A prisioneira procurou esconder o rosto formoso à objetiva do fotógrafo.[25]

Mais um jornal de Salvador, Diário da Bahia, fala de Alzira como sendo “uma mulher de valor, dócil prisioneira dos legalistas” no Quartel General de Juazeiro sob o comando do General Mariante. O jornal destacou minuciosamente como a “destemida amazona” foi presa:
                
                     ‘Frente a frente’.
 Numa aberta das caatingas, frente a frente do sargento assoma o perfil esbelto de uma mulher em trajes de amazona romanesca puxando pela rédea o seu luzido animal. Impávida, sem a menor perturbação aproxima-se e se estabelece a conversação. Em dado momento, quando percebeu que estava em má posição resolveu inverter os papéis e sacando rapidamente de um revólver dá ordem de prisão ao sargento que reage, travando-se, então, entre ambos uma longa luta da qual sai ferida a gaúcha. Guerreira, corajosa, audaz, embora ferida, investe e, aproximando-se do sargento, procura-o para nova luta na qual consegue empurrá-lo para dentro da mata.
 Aproveitando-se do embaraço do seu antagonista cavalga o animal e, a galope parte para tombar adiante.
 Neste ínterim aproxima-se o sargento que, já então não facilita e prende bem presa a audaciosa mulher, que foi, afinal conduzida para Joazeiro, onde permanece em relativa liberdade sob a vigilância de um tenente e um capitão, passeando, jogando bilhar e frequentando cinemas ...[26]

Dois meses depois, o mesmo jornal falou sobre Alzira, com outro discurso. A famosa prisioneira de Uauá, dessa vez foi denominada como uma “mulher desclassificada”, uma detraquèe (desmiolada) que possuía um “estado orgânico mórbido e doentio”, exaltado devido ao álcool que ingeria. O jornal sustentou que o corpo de saúde militar aplicou um tratamento específico em Alzira, denominado de “regime do 914 (código militar, do qual não encontramos referência) para assim, desfazer a “lenda heroína e ephemera da rebeldia”.[27]
Continuando a destacar a saga que levou a prisão de Alzira, o jornal fala de uma trama de ciúme possivelmente ocorrida entre Miguel Costa e Prestes por causa da formosura e exuberância da jovem Alzira:

                        ‘O  ciúme ... estraga a situação dos revoltosos’.
A ‘generala’ prisioneira... Por sinal que é uma bella mulher, ...teria declarado ter abandonado o acampamento revolucionário em virtude do desabrido ciúme de Miguel Costa pelo seu camarada Prestes.
Por isto, e receando um desastre entre elles, preferiu abandonar o campo dos revoltosos. É o que disse... uma linda mulher de cerca de 18 anos, olhos vivos e penetrantes.[28]

Essa notícia mexeu com o brio e a moral da tropa rebelde; seus comandantes ficaram irritados com as manchetes que em primeira página estampavam a vida privada do movimento contestatório. O General Miguel Costa retaliou a matéria e declarou para um corresponde do jornal Diário de Notícias a sua indignação com a reportagem do jornal A Tarde que sugeria um romance entre ele e a revoltosa Alzira:

Fiquei muitíssimo contrariado quando li na imprensa que a revoltosa Alzira aprisionada pelos bernardistas, perto de Bonfim, era minha amante. Contexto formalmente isso. A Alzira, aliás, uma mulher educada, regularmente instruída e inteligente, é apenas uma rapariga de vida livre que acompanha a tropa desde o Rio Grande do Sul, ligada eventualmente a officiais de pequeno posto, e que estava ultimamente em companhia do tenente Hermínio. Como homem casado e de responsabilidades, não posso me conformar com essa ‘promoção’ da revoltosa Alzira a ‘generala’.[29]

É interessante poder analisar o discurso militar e o discurso civil sobre a rebelde Alzira.  Na citação acima, o General Miguel Costa com uma postura inteiramente militar, irrita-se com as colocações feitas pelo jornal A Tarde, dirigido por Simões Filho. Miguel Costa descreve Alzira como uma mulher relativamente instruída e inteligente, logo depois a classifica como “rapariga de vida fácil” que jamais poderia ser comparada como uma generala. Ele admitiu Alzira como amante de “oficiais de pequeno posto”, afirmando que ela vivia maritalmente com Hermínio, um bravo tenente baiano e não com o comandante de maior hierarquia da Coluna.
Podemos dizer que o General rebelde não gostou mesmo foi da ‘promoção’ de Alzira ao posto de generala, talvez se a tivessem denominado de “a tenente revoltosa”, uma patente menor na hierarquia militar e, na verdade a sua posição frente ao amásio tenente com quem vivia, Miguel Costa não o teria se irritado tanto, mas compará-la à hierarquia maior, denegria a sua integridade individual e a  imagem e seriedade do movimento.
Vemos que mesmo em oposição aos legalistas militares, os comandantes da Coluna não aceitavam ter a moral ferida. No movimento que empreendiam, atacavam os privilégios e abusos da alta patente militar, porém, ao mesmo tempo, viam-se como pertencentes a essa hierarquia e não podiam permitir que os afrontassem dessa maneira.
Assim, a prisão de Alzira se tornou alvo de críticas tanto dos legalistas aos rebeldes, quando levantavam suspeita de, na Coluna, agirem com desordem e manterem orgias, sugerindo que Prestes e Miguel Costa se desentendiam por ciúmes de uma mulher bonita. Quanto aos rebeldes em relação os legalistas, aqueles justificavam que essas “calúnias” eram estratégias dos legalistas para afrontá-los moralmente. No diário da marcha, os rebeldes retaliam essas notícias, afirmando que como os legalistas não os venciam com as armas, assim procuravam com falas maldosas atacar suas condutas, exagerando quando contabilizavam o número de mulheres que os acompanhavam.[30]                        
Provavelmente, foi temendo represálias que Alzira viu a importância de ser considerada como tal. Por outro lado, essa “promoção” generala, como disse o General Miguel Costa, dava-lhe um certo poder frente aos legalistas, no sentido de possuir autoridade e influências, podendo inclusive contribuir com informações sobre os rebeldes, não podemos nos esquecer de que falando de uma guerra e, prisioneiros/as importantes possuem regalias em território inimigo.
Percebemos que, de certa forma, Alzira foi realmente inteligente quando aceitou em circunstâncias oportunas ser considerada como amante do General Miguel Costa. Ela aproveitou-se desse fato para manter-se segura, pois podia se prever que o acontecia com os/as prisioneiros/as, quando estavam em poder dos inimigos.        
               
Nesse jornal, vê-se presente a preocupação com o transtorno e o incômodo que essa prisioneira causava, pois uma mulher mesmo presa podia provocar vários embaraços nas tropas em guerra. Alzira estava sempre sob vigia de um oficial legalista e constantemente era transferida junto com eles, acompanhando de perto a perseguição aos seus companheiros rebeldes.

Tia Maria:

A famosa Tia Maria, uma velha negra, que acompanhou a Coluna, desde São Paulo, inicialmente saiu da capital paulista como cozinheira de Juarez Távora, porém, ficou mais conhecida como a negra feiticeira da Coluna. [31]
O secretário da Coluna deixou registrado na cópia manuscrita do diário da marcha como a velha Tia Maria era temida pelos legalistas, eles a consideravam uma terrível feiticeira. A notícia se espalhou pelo Brasil afora e mesmo em lugarejos distantes, seu nome era citado pelos moradores. Ele narra romanticamente, dando detalhes da paisagem local, um interessante episódio ocorrido nas proximidades da cidade de Arraias (hoje estado do Tocantins), onde os matutos acreditavam que a velha negra Tia Maria era a feiticeira que protegia a Coluna dos inimigos.[32]
Ainda falando sobre a velha Tia Maria, Lourenço Moreira Lima relata que na região de Terezina, no estado do Piauí, um deplorável pânico atacou os inimigos naquela noite mal assombrada, depois do combate de Uruçuí. Ele diz que o pânico dos inimigos aprisionados era justificado por acreditarem que a Coluna possuía uma feiticeira que “fechava o corpo dos soldados”, por isso eles nunca eram vencidos.[33]
O autor do diário da marcha registrou também a forma trágica da morte de Tia Maria, ocorrida após o sangrento combate de Piancó (Paraíba). A Coluna chegou nessa cidade, no dia 9 de fevereiro de 1926, momento no qual o batalhão de Osvaldo Cordeiro de Farias foi recebido de tocaia pelo padre Aristides, chefe político da região. Aconteceu, então, um combate terrível, houve mortes dos dois lados, os combatentes do movimento mataram e deceparam o “padre traidor”. Na retirada, alguns rebeldes se extraviaram do grosso da Coluna e foram barbaramente mortos em vingança ao padre Aristides.[34]
Dentre os prisioneiros, figurava a velha Tia Maria que foi levada para o cemitério por ser muito temida pelos inimigos que, muito já haviam ouvido dela falar. Os registros mostram que o nome de Tia Maria circulava de boca em boca como “a feiticeira que fechava o corpo dos soldados”.[35]
A polícia paraibana temendo seus poderes mágicos, primeiro torturaram-na ferozmente, depois a esfaquearam e obrigando-a a cavar a própria cova, “ela se mostrou forte e morreu praguejando os bernardecos”  Assim, consumou-se a velha Tia Maria, mas sua figura lendária até hoje está presente nos sertões brasileiros.[36]

 “A Onça”:
                       
A apelidada A Onça, segundo o autor do diário da marcha, era uma espevitada mulata rio-grandense, muito conhecida por ser uma “exímia dançarina de maxixe” que alegrava o acampamento nas noites enluaradas. Lourenço Moreira Lima acrescenta que essa mulata fez uma *ligação[37] em um momento sério de combate, salvando uma pequena tropa das forças legalistas muito superiores. Segundo o secretário A Onça alegrava o acampamento da Coluna, dançava nas selvas, nas caatingas e até na lama.[38]
              
Albertina:

A gaúcha Albertina foi citada por Lourenço Moreira Lima como uma das mulheres mais bonitas do movimento, “a mais linda delas”.[39] Ele declara, ainda, que Albertina era uma jovem mulher rio-grandense que teve uma morte trágica, na cidade de Minas do Rio de Contas, na Bahia:

Em 7 de abril de 1926, o Quartel General entrou em Minas do Rio de Contas ... O tenente Agenor Pereira de Sousa, que fora ferido no combate de Piancó, estava gravemente doente, tendo sido levado até ali de padiola.
... Várias pessoas da cidade convidaram-no a ficar ali e como ele tivesse aceito esse convite, deixamo-lo aos cuidados daquela boa gente para que morresse em paz, uma vez que reconhecíamos que restavam-lhe poucos dias de vida.
Ficaram em sua companhia um seu irmão de nome Alibe, moço de 17 anos, e a vivandeira Albertina, também do Rio Grande.
 Albertina era uma linda rapariga de seus vinte e dois anos, a mais bonita das nossas vivandeiras. Condoída da sorte de Agenor, ofereceu-se para trata-lo, nos seus últimos dias.
 Depois de nossa saída, chegou a essa cidade um batalhão patriótico.
Um miserável que era tenente desses mercenários quis se apoderar de Albertina e, como ela se recusasse a satisfazer a sua concupiscência, degolou-a brutalmente, bem como a Alibe.[40]

A morte violenta de Albertina ficou gravada na memória popular. Jorge Amado fala que o tenente que a matou desfilou com sua cabeça, sem corpo, mostrando-a aos soldados legalistas.[41] 

Cara de Macaca:

Ao citar a gaúcha de apelido “Cara de Macaca,” Lourenço Moreira Lima a descreve como aquela que vestia-se toda de couro, carregava o fuzil do companheiro, mesmo sendo por ele surrada. Ninguém a distinguia de um vaqueiro, tanto pela aparência como pela habilidade de montar a cavalo.[42]
O capitão Ítalo Landucci, deixa igualmente em suas memórias referência a essa mulher:

Cara de Macaca não largava seu chapéu de couro e seu gibão. Amasiada com um fuzileiro beberrão era por ele surrada. Certa vez numa de suas carraspanas, o fuzileiro jogou fora o fuzil-metralhadora. Amainada a bebedeira, Cara de Macaca chegou ao acampamento com a arma e pediu que seu homem não fosse castigado.[43]

Com um apelido um tanto quanto estranho essa mulher acompanhava a Coluna em suas escaramuças, mesmo sendo tratada a pancadas.

Isabel Pisca - Pisca:

O bacharel Lourenço Moreira Lima não deixou registrado o porquê do apelido de Isabel que também era conhecida por Pisca – Pisca. Ele afirma que ela gostava de tomar uns pileques. No diário da marcha, o secretário da Coluna relata que durante a passagem da Coluna pela cidade de Porto Nacional (hoje estado do Tocantins) essa mulher foi confundida com a princesa Isabel:
                  
Em Porto Nacional, o povo corria curioso para ver a princesa Isabel, que viajava conosco, conforme se espalhou, por nos acompanhar uma vivandeira desse nome, apelidada Pisca-Pisca, incorrigível alcoólatra que não perdia oportunidade de emborrachar-se e dar escândalos com as suas companheiras, esmurrando-se com elas para gáudio da soldadesca.[44]
  
Na citação acima, o secretário da Coluna, não poupou pejorativos para falar da vivandeira  “Isabel Pisca-Pisca”.  No discurso do autor do diário, a mulher que era confundida com a princesa Isabel, era uma “incorrigível alcoólatra” que vivia arrumando confusões com as demais companheiras. 
Através do método da História Oral, conseguimos saber um pouquinho mais sobre Isabel. O sr. Luís Gomes Sardinha, hoje com 84 anos, residente, à época, na cidade de Carolina, no Maranhão, era um garoto de apenas oito anos quando a Coluna passou em sua terra natal. A pouca idade porém, não impediu que ele registrasse em sua memória a imagem dos homens e mulheres que contestavam contra o governo de Artur Bernardes. Segundo ele:
                                                             
... Eu era ainda menino, mas me recordo bem do alvoroço que ficou a cidade, todos queriam conhecer os revolucionários, principalmente o Prestes. Os revoltosos foram muito bem recebidos na cidade de Carolina, no dia 15 de novembro de 1925.  Meus pais mais eu e meus irmãos nos dirigimos pra praça principal da cidade, lá aconteceu discursos, queima de impostos e documentos falsos. Toda população aplaudiu aqueles valentes homens. Minha mãe, Almira Gomes Sardinha conversou com uma mulher que acompanhava os revoltosos, o nome dela era Isabel; essa mulher perguntou pra minha mãe se ela tinha máquina de costura em casa, minha mãe respondeu que sim, aí ela pediu pra fazer uns remendos em algumas roupas e minha mãe a acompanhou até a nossa casa; lá ela costurou e remendou roupas dela e de alguns soldados, depois agradeceu e foi embora...[45].
  
Essa fala é muito importante, pois o depoente acima delega funções de costureira à mulher de nome Isabel que, para Lourenço Moreira Lima não passava de uma alcoólatra. Na primeira fala Isabel Pisca-Pisca conseguiu passar pela “princesa Isabel”, uma “alcoólatra incorrigível”, na segunda fala ela foi uma simples “costureira” que remendava suas roupas e a dos companheiros, através da ajuda da população, por onde a Coluna passava.

Chiquinha:

Da mulher apelidada Chiquinha, sabemos apenas que era uma paulistana que saiu com os rebeldes da cidade de São Paulo, por ocasião do levante, em julho de 1924. Essa mulher é citada pelo secretário da Coluna através de um episódio dramático e pitoresco:

As travessias dos rios eram momentos de satisfação para os rapazes, principalmente quando feitas em balsas de vaivém ou a nado.
                 ....Os rapazes postados às ribanceiras ou nadando de um lado para o outro, divertiam-se com aquelas travessias, cobrindo de vaias os que passavam nas balsas e fazendo grandes pendengas com as mulheres.
                   A morte do tenente Simplício resultou de um desses episódios. Simplício, homem já velho, que estava atacado de paludismo e não tirara as suas longas botas, mergulhou e quando surgiu à tona d’água foi cavalgado pela gorda Chiquinha, que se debatia desesperadamente e teve a felicidade de deparar com aquele estranho salva-vidas. Socorridos, Chiquinha livrou-se de morrer, mas o velho Simplício desapareceu.[46]

Vitalina Torres:

Na Revista Manchete encontramos referência a Vitalina Torres, gaúcha de Santo Ângelo, (nascida em 10 de agosto de 1892), estava há três meses com Pedro Torres Sobrinho, quando saíram do Rio Grande do Sul (em outubro de 1924), acompanhando a Coluna Gaúcha. [47]

As demais mulheres:

De algumas mulheres tivemos poucas informações, o secretário da Coluna, jornais e alguns memorialistas chegaram a mencionar seus nomes ou apelidos, mas, sem deixar maiores dados.
Nas palavras de Lourenço Moreira Lima, Tia Joana era uma velha gaúcha, pequenina e gorducha que fez toda a trajetória até integrar-se ao exílio na Bolívia. Em La Gaiba, ela montou um restaurante/palhoça. A sócia de Tia Joana era a mulher de apelido Chininha que, segundo o secretário da Coluna, era uma mulata obesa, porém, exímia andarilha, ninguém a deixava para trás, apesar das suas avantajadas banhas.
Outra tinha o apelido de Aí Jesus, segundo o bacharel Lourenço Moreira Lima, era uma “esgrouviada”, ele a comparou com um conhecido ministro do Supremo, porém, a diferencía do ministro quando diz que Aí Jesus era muito mais limpa do que esse juiz.[48]
Sobre Anna Alice, sabemos que era uma gaúcha casada com o sargento João Pereira, também gaúcho, que estava preso na cadeia pública da cidade de Cuiabá. Eles acompanharam Prestes desde o Rio Grande do Sul. O jornalista Luís Amaral a encontrou em um garimpo próximo à cidade de Cuiabá, aguardando a liberdade do marido.[49]
O capitão João Silva, ao citar Maria Emília, Tia Manoela Gorda, Etelvina, Cândida,  Eufrazia,  Ernestina  e  Emília Dias afirma que estas mulheres eram gaúchas e foram combatentes ativas que enfrentando balas em vários combates  ainda, socorriam os feridos em plena linha de fogo.[50]
As de nomes e apelidos de Chuvinha, Xatuca, Ernestina, Lamparina, Gaúcha,  Amália  e  Letícia, foram citadas por  Edmar Morel, mas pouco informou sobre elas. O autor declara que essas mulheres eram gaúchas que saíram com Prestes do Rio Grande do Sul, não deixando maiores dados sobre elas. Seus nomes foram lembrados anos depois pelo secretário da Coluna, Lourenço Moreira Lima, quando este foi entrevistado por Edmar Morel.[51]
No depoimento de Rubens Fortes - ex-integrante da Coluna -, ao CPDOC/FGV(Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas), encontramos referência a Ovídia, uma gaúcha que acompanhou a marcha desde o Rio Grande do Sul.[52]
Sobre Maria Revoltosa e Otima, citadas em depoimentos orais, pouco sabemos. Declararam os depoentes que elas passaram a morar no estado de Goiás, após a marcha da Coluna. A primeira residiu no nordeste goiano, na cidade de Campos Belos e era muito conhecida na região[53]; a segunda mulher, o depoente declara que era uma parteira que veio de Mato Grosso. Otima afirmava que participara da marcha da Coluna e que sua filha Maria José (hoje residente em Santa Helena - Goiás) era filha de um soldado revoltoso.[54]
Foi a partir da fala de militares e civis, do discurso da imprensa e poucas vezes, das próprias mulheres que buscamos compreender os perfis femininos na marcha da Coluna.
Pelos perfis apresentados, percebemos que a denominação de vivandeiras precisa ser melhor discutida, pois as mulheres apresentaram heterogeneidades de experiências: havia mulheres como Alzira que completou dezoito anos durante a marcha e mulheres com aproximadamente cinquenta ou mais anos, como a velha negra “Tia Maria”, a “Tia Joana” e “Tia Manoela Gorda”;  mulheres de origem brasileira e mulheres estrangeiras (como era o caso das enfermeiras, a austríaca Hermínia e a alemã Elza Schmidk); havia mulheres casadas, solteiras e “amasiadas”; havia mulheres com escolaridade, como Hermínia que era enfermeira diplomada e mulheres semi-analfabetas; havia mulheres que saíram de centros urbanos desenvolvidos e mulheres camponesas; havia mulheres negras, brancas, mulatas e caboclas. Essas são algumas das peculiaridades e diferenças dentro da “construção da diferença”. 

A participação nos combates e o 
relacionamento com os companheiros de marcha

Como disse Luís Carlos Prestes, as mulheres foram “relativamente” admiradas pela tropa rebelde. O relacionamento com os soldados, em geral, era amistoso, mas por muitas vezes elas, foram duramente discriminadas.
A busca por uma boa matéria jornalística deixou-nos uma preciosa documentação sobre a participação das mulheres no movimento da Coluna. Vejamos a fala de Elza sobre os companheiros e companheiras de marcha:

- Eram muito bons e muito estimados os generais Miguel Costa e Prestes. O general Prestes não fuma, não bebe nem gosta de mulheres. Zelava muito pelo respeito às famílias das localidades por onde passávamos. Neste assunto, o menor abuso era punido com muita severidade. Os infractores eram enviados para o Batalhão da disciplina ... O mesmo castigo eram infligidos aos que voltavam ao acampamento trazendo algum fruto roubado, algum objeto, além das requisições necessárias.
Todos muito bons e muito respeitosos. Todos eram amigos do general e procediam bem, para agradá-lo.[55]

O jornalista Luís Amaral afirmou que as mulheres da Coluna não tinham comodidades especiais: “seguiam a tropa a cavalo, vestidas de soldado, de laço à garupa da montaria ...” [56]
O tenente Antônio de Siqueira Campos, (comandante do 3º Destacamento da Coluna) as reprimia duramente. Nas palavras de Moreira Lima, Siqueira Campos:

... não as suportava e acabou expulsando-as do seu destacamento e não admitindo que se aproximassem da sua força, nem a passeio, tomando-lhes os animais e deixando-as a pé no meio das estradas, quando infringiam suas ordens, razão porque era temido  e  odiado  pelas donas guerreiras, que se vingavam chamando-o  pelas costas ‘olho de gato’  e  ‘barba de  arame’.[57]

De acordo com depoimentos dos integrantes da Coluna, o batalhão de Siqueira Campos era o mais agressivo de toda a tropa,  o próprio Prestes, em várias ocasiões,  chegou  a  comentar  sobre  a  impetuosidade de Siqueira. Outros comandantes de destacamento como Djalma Dutra, João Alberto e Cordeiro de Farias, mesmo incomodados com a presença feminina em seus destacamentos, aceitavam-nas.
Em vários momentos, o discurso desses comandantes se contradizem. Alguns chegaram a admitir que as mulheres prestaram relevantes serviços, demonstrando valentia e dedicação à causa revolucionária. Outros rebeldes acreditavam que a presença das mulheres, muitas vezes, chegava a levantar a moral da tropa, pois elas “quebravam o clima inóspito”, próprio da disciplina militar, mas a presença das mulheres também gerava conflitos entre os rebeldes.
Luís Carlos Prestes afirmou posteriormente em seus depoimentos[58], que a presença das mulheres foi muito importante no movimento rebelde, pois elas prestaram vários serviços nos destacamentos aos quais serviam.
As mulheres tiveram, de certa forma, um bom relacionamento com a tropa e  não podemos reduzi-las apenas aos papéis de cozinheiras,  enfermeiras  ou  amantes dos revolucionários. A presença delas junto à tropa conseguiu, alterar alguns hábitos rígidos próprios da disciplina militar, chegando inclusive, a mudar a situação e o rumo de alguns combates, como exemplo, as ligações feitas por Hermínia e A Onça, citadas anteriormente.
Como algumas mulheres eram de origem camponesas e praticamente semi-analfabetas, acabaram sendo relegadas ao papel de meras prostitutas. Como afirma Duby/Perrot, “em público, uma mulher pobre corre permanentemente o risco de ser tomada por uma prostituta”. Esse pode ser o caso das mulheres que participaram da Coluna, mulheres pobres e humildes que romperam com as regras preestabelecidas pela sociedade da época.[59]
Muitos autores tomaram-nas apenas como prostitutas na longa marcha. Assim, fez o jornalista Meirelles quando as denominou: “em sua maioria, prostitutas”. Para esse autor, a presença dessas mulheres nunca foi bem aceita pelo comando revolucionário.[60]
Mas, ao analisarmos a história do movimento da Coluna percebemos que as mulheres, juntamente com os homens, formaram um “conjunto de resistência”, pois mesmo não as aceitando plenamente, os comandantes tiveram que suportá-las durante a campanha.
Segundo Prestes as mulheres chegaram a carregar armas e munições e iam para o campo de combate, onde defendiam suas vidas e a dos rebeldes. Outras vezes, surpreendidas pelos inimigos nos acampamentos, tinham que enfrentar e resistir na luta até que chegassem os reforços amigos. Nesses e em outros momentos, demonstravam ser guerreiras destemidas e corajosas frente aos reveses e sofrimentos que a guerra impunha. Prestes ressalta que as enfermeiras Hermínia e Elza salvaram diversas vidas durante a marcha, dizendo que era comum vê-las nas linhas de fogo em pleno combate, retirando os combatentes feridos e, com muita calma, tratando-os nas enfermarias improvisadas ou mesmo no próprio campo do combate.[61]
O capitão João Silva deixou claro a ativa participação das mulheres e relata: “quantas e quantas vivandeiras iam às linhas de fogo e de lá traziam os nossos feridos para a retaguarda, rasgavam as suas vestes,... e  faziam  ataduras!” [62]
Em outro trecho de suas memórias, encontramos o capitão João Silva afirmando que presenciou algumas mulheres lutando corporalmente com o inimigo; ele relata que na batalha próxima ao Rio Apa, assistiu ao embate entre uma mulher da Coluna e um soldado legalista e menciona:

 ... a vivandeira Maria Emília, que estava de pé, metendo o joelho em terra derrubou-o... ,umas vivandeiras..., voluntariamente, neste dia, brigaram afoitamente qual fossem soldados ...  Devo mais uma vez frisar que as vivandeiras da ‘Coluna Invicta’ eram mulheres valentes e destemidas; em todos os combates sempre tomaram parte ativa e voluntariamente ...[63]
                                
O jornalista Luís Amaral relata na entrevista que fez com a enfermeira Elza que esta fez enorme reticência, quando foi indagada sobre a postura do coronel Antônio de Siqueira Campos. Ele diz que foi preciso insistir para que ela prosseguisse suas impressões sobre o comandante do 3º Destacamento da Coluna. Elza disse que iria falar com toda a sinceridade e, assim declarou: “o coronel era um malvado, ninguém gostava dele”. Ela declarou que os soldados do 3º Destacamento da Coluna pediam transferências para outros batalhões, muitas vezes preferindo ir até para o tão temido Batalhão de Disciplina. Ela diz que “Siqueira Campos fez muita coisa feia”.[64]
Encerrando a entrevista, o jornalista Luís Amaral buscou saber maiores informações sobre suas companheiras de marcha. O jornalista narra que indagou-lhe se ela e as demais mulheres que estiveram na Coluna arrependiam-se de haver ingressado numa luta armada e, recebeu a seguinte resposta: “não nos arrependemos, não queríamos voltar”.[65]



[1]MOREIRA LIMA, Lourenço, 1979, Op. cit., p. 132.
[2]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit.,  p. 132.
[3]CAMARGO, Aspásia; GÓES, Walder. Op. cit., p. 132.
[4]LANDUCCI, Ítalo.  Op.  cit., 167-170.
[5]Ísem, Op. cit., p. 167-170.
[6] Entrevista de Rubens Fortes ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC), em 13/09/1983, fita cassete 02 E -183 (áudio).
[7]Uma propaganda (no início da década de 1920) do regulador “Saúde da Mulher” dizia que esse regulador representava a saúde da mulher; “a natureza destina à fêmea a árdua tarefa da geração ... a mulher é encarada como o lado doente da espécie”. NOSSO SÉCULO.  Op., cit.,  p. 104.
[8]Jornal A Tarde , Salvador 20 de março de 1926, n. 5.462.
[9]Diário da Bahia, Salvador, 26 de junho de 1926,  n. 141.
[10]Jornal Diário de Notícias, Salvador, de 16 de abril de 1926,  n. 6.654. Nesse jornal encontra-se publicado a carta do fazendeiro Luís Antônio Ribeiro, residente na Fazenda Sipó, município de Juazeiro (BA), em 31 de março de 1926.
[11]Jornal Diário de NotíciasOp. cit., n. 6.654.
[12]LINS DE BARROS, João Alberto. Op. cit., p. 173.
[13] LINS DE BARROS, João Alberto. Op. cit., p. 170 -173.
[14]O Jornal. Op. Cit.,  p. 06.
[15]O Jornal. Op. cit., p. 06.
[16]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit., p. 617.
[17] Ibidem,  p. 617.
[18]O Jornal, Op. cit.,  p. 06.
[19]LINS DE BARROS, João Alberto. Op. cit.,  p. 118-125.
[20]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit., p.,  237
[21]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit.,  p. 237.
[22] MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit.,p. 282.
[23]A Tarde, Salvador, 18 de março de 1926,  n. 5.460.
[24]Diário de Notícias. Salvador, 22 de março de 1926, n.6.663. Depoimento do sr. Pedro Modesto de Souza ao jornal.

[25]Diário de Notícias, Op. cit.,  n. 6.638.
[26]Diário da Bahia, Salvador, 25 de março de 1926,  n. 67.
[27]Diário da Bahia, Salvador, 12 de maio de 1926, n. 106.
[28]Diário de Notícias, 25 de março de 1926, n. 5466.
[29]Diário de Notícias, Salvador, 26 de junho de 1926, n. 6.712.

[30] MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit., p. 130, 282.
[31]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit.,  p. 130, 131, 237, 300, 350, 351, 411.
[32]Cópia manuscrita do diário da marcha, 03/10/1925. Arquivo Juarez Távora, CPDOC/FGV, Rio de Janeiro.
[33] MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit., p. 217-18.
[34] Depoimento de Osvaldo Cordeiro de Farias à ASPÁSIA, C.; GOÉS, V. Op..  cit., p. 142-46.
[35] MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. Ci.,  p. 259.
[36]BRAZIL, Èrico V. ; SCHUMAHER, Schuma. Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Jorge Zanhar, 2000, p. 514-515.
[37]*Quando o secretário da Coluna Prestes usa o termo ligação, ele o faz em uma linguagem militar que significa o momento em  que alguém consegue estabelecer um contato de uma linha de fogo à outra, avisando sobre o perigo que emana da parte inimiga.
[38]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit., p. 131.
[39]Ibidem,  p. 300.
[40]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit., p. 300
[41]AMADO, Jorge. Op. cit., p.116-18.
[42]Ibidem,  p. 172.
[43]LANDUCCI, Ítalo. Op. cit., p. 167-70.
[44]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit., p. 199.
[45]Depoimento do Sr. Luís Gomes Sardinha, residente em Senador Canedo (Goiás). Na época (1925) o sr. Luís era ainda garoto, mas disse que se lembrava bem do dia em que a Coluna chegou à sua cidade natal, Carolina, no Maranhão, mesmo porque os rebeldes foram bem recebidos por grande parte da população local, todos queriam conhecer o Prestes.
[46]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit.,  p. 411.
[47]Revista Manchete. Op. cit., p. 38-9.
[48]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit.,  p. 351,  509.
[49]O nome de Anna Alice foi citado pelo jornalista Luís Amaral,  quando este esteve na Bolívia e em Corumbá (MS) entrevistando os/as combatentes da Coluna Prestes que após fazerem todo o percurso da marcha emigraram na Bolívia.  É  importante ressaltar que o jornalista Luís Amaral  foi o único a dar voz às mulheres da Coluna, o seu artigo recebeu como título: “Conversando com as Mulheres da Coluna Prestes” ;  as demais reportagens da época somente privilegiavam os líderes da Coluna, como o comandante Luís Carlos Prestes, assim foi a série de reportagens feita pelo jornalista Rafael Oliveira. O Jornal, Rio de Janeiro, 1927, Op.  cit.,  p.6.
[50]SILVA, João (capitão). Op. cit.,  p. 76-77.
[51]O jornalista Edmar Morel escreveu a biografia de Lourenço Moreira Lima, secretário da Coluna Prestes. Seu trabalho baseou-se em documentos de fontes escritas e orais, como várias entrevistas feitas com o biografado.  MOREL, Edmar,  Op. cit.,  p. 77-79.
[52]Entrevista de Rubens Fortes ao CPDOC/FGV, Op. cit., 1983,  2ª  fita,  E -183.
[53]Esse dado foi confirmado pelo depoente Luís José do C. Cunha Lima (guia turístico na cidade de Alto Paraíso (GO), conhecido como Lula),  em 19 de dezembro de 1997, em entrevista à autora.
[54]Informações declaradas por Antônio Melchior Filho,  morador da cidade de Niquelândia que, em 05 de dezembro de 1997, concedeu entrevista à autora.
[55]Essa fala de Elza Schmidk encontra-se em O Jornal, Rio de Janeiro, 10 de julho de 1927,  p. 06.
[56]Ibidem, p.06.
[57]MOREIRA LIMA, Lourenço. Op. cit..,  p. 130-131.
[58]Depoimento de Luís Carlos Prestes no documentário: O Velho – a história de Luís Carlos. Direção de Toni Venturi, Rio de Janeiro, 1997, 105 min.
[59]DUBY, G. ; ERROT, M. Op. cit., p. 419.
[60]MEIRELLES, Domingos. A noite das grandes fogueiras: uma história da Coluna Prestes. São Paulo: Record, 1995, p. 620.
[61]MEIRELLES, Domingos. Op. cit.,  p. 620.
[62]SILVA, João. Op.  cit.,  p. 76.
[63]Ibidem,  p. 121.
[64]O Jornal, Op. cit.,  p. 06.
[65]O Jornal. Op. cit., p. 06.


FONTE: MARIA MEIRE DE CARVALHO - A INVENÇÃO DAS VIVANDEIRAS: MULHERES NA MARCHA DA COLUNA PRESTES – A TRAJETÓRIA SILENCIADA 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

GOIÂNIA, 2001.