DISCURSO QUE MIGUEL COSTA PRONUNCIOU QUANDO CHEGOU A SÃO PAULO



Proferido no Explanada Hotel no dia 28 de outubro de 1930 pouco depois de sua chegada a SP 

Chegada do General Miguel Costa a São Paulo em 28/10/1930 em frente a atual  Estação de Trens Julio Prestes.

"Brasileiros. Eu vos quero dizer umas poucas palavras, as mais necessárias que já tenha dito. Palavras que a vossa generosidade vos pagará e que se converterão em água, em teto, em vida para a família dos que tombaram nos campos da luta. A eles, soldados obscuros ou chefes gloriosos, deve o Brasil a liberdade de hoje.
Eles constituem a mais forte garantia de que realizaremos o prometido, porque não se mente; brasileiros, ao companheiro que sonhou, que lutou e que morreu ao nosso lado. Eles são a falange anônima, humilde, tristonhos que não escutaram os clarins da vitória, que não se embriagaram com as palmas do triunfo, que derramou o sangue moço, quente, precioso, abdicando de todas as coisas que fazem o encanto da existência. A vossa generosidade, entretanto, seria incompleta se não se estendesse às famílias dos que caíram defendendo o governo deposto, pois, eles foram pobres autômatos sem consciência e sem culpa e foram brasileiros como nós que padeceram ao tempo dos tiranos. Estão cessadas as hostilidades. Cumpre reconstruir, cumpre recuperar. O Brasil deve ser uma grande fábrica, um enorme celeiro. Fábrica em que todos os operários se irmanem satisfeitos no trabalho pelo bem estar coletivo. Celeiro capaz de suprir as necessidades do mundo. E quando nós atingirmos essa meta, quando gerações ouvirem falar na fome, na apatia, na opressão que nós hoje conhecemos, será mister lembrarmo-nos dos obreiros da pátria nova. Os bravos que se foram; os soldados da revolução. Miguel Costa"